A sociedade brasileira clama por mais segurança, suplica pela contratação de maior efetivo na polícia e pela construção de mais cadeias. Pretende a aplicabilidade de leis penais mais duras, incluindo a pena de morte para crimes violentos. Contudo, destaco que a pretensão ofensiva não seria a solução para os problemas relacionados com a Segurança Pública em nosso País.
Cumpre frisar que o problema da Segurança Pública vai continuar a aumentar, pois não estamos atacando o cerne da questão, ou seja, a origem pela qual se perpetuam os crimes. Pelo contrário, o sistema adotado atualmente pelo Estado faz com que os criminosos aperfeiçoem-se. Explico: ao serem presos e ficarem um longo período recluso com outros detentos, não havendo qualquer acompanhamento adequado, os criminosos saem mais fortalecidos e atuantes, de forma que o Estado não sabe onde
estão os egressos a partir do momento em que são liberados.
A solução então paira, inicialmente, num dos preceitos constitucionais, o qual merece atenção redobrada, qual seja a educação. Primeiramente, é preciso que as crianças e os adolescentes tenham acompanhamento integral na escola, além de uma grade curricular, no qual aprendam os valores e princípios da convivência humana, bem como valores relacionados com a cidadania. Importante destacar que é necessária a aproximação do jovem com a prática da alimentação saudável, higiene pessoal, serviços domésticos basilares, bem como aulas de informática, línguas, artes e, nos finais de semana, atividades culturais e esportivas.
Sabemos que o caminho é sinuoso, que os criminosos possuem características peculiares a pessoas sem educação, sem princípios, sem maiores expectativas de vida e, acima de tudo, sem o mínimo de educação para conviver com pessoas de bem no seio da sociedade. A família, a instituição mais antiga da humanidade, encontra-se fragilizada frente ao domínio do tráfico, à miséria, à ausência de princípios que a muito foram expurgados.
O Estado precisa fortalecer a família, auxiliando com a educação, principalmente, crianças e adolescentes. Isso, com certeza, trará paz e harmonia à sociedade, fazendo com que a Segurança Pública repouse sobre os fracos e inocentes, vítimas da autodestruição apresentada pelo vício e pelas intempéries do dia a dia.
Conclui-se, portanto, que precisamos urgentemente formar bons cidadãos, trocando uma agenda de crimes por uma agenda de boas práticas. Essas, por sua vez, que deverão ser iniciadas através do aprendizado em tempo integral, fazendo com que tenhamos um saldo positivo e não mais temamos pela insegurança em nosso País.


